O Feitiço do Cinema é uma coletânea de textos sobre teoria, produção e crítica do cinema a partir de variados enfoques. Nasce de uma parceria entre a revista Griffe, o trabalho jornalístico de Flavio F. A. Andrade e a Escola Crítica de Cinema, reconhecida pelo CNPq e liderada pelo Prof. Dr. Juan Guillermo D. Droguett. Esses esforços são somados para apresentar esta obra que reúne importantes pesquisas e investigações sobre cinematografia.
Seu estilo é simples e leve, e não apenas permite entender o como e o porquê de técnicas e escolhas na concepção de uma obra cinematográfica, como também realiza uma contribuição significativa ao estabelecer a relação entre o cinema e o conjunto de saberes que o complementam e o enriquecem. Assim, a prática interdisciplinar se revela um fato de luz, sombra e ação narrativa fílmica.
O capítulo inicial “Griffando o sabor do celulóide” oferece uma idéia do conteúdo da coletânea, apresentando de modo ordenado os princípios que pautam a obra em seu conteúdo, estilo e alcance. Nos seis capítulos que compõem a 1ª parte – História, Teorias e Crítica de Cinema –, os pesquisadores do grupo Escola Crítica de Cinema descortinam conceitos valiosos para compreender as variadas possibilidades do cinema: metalinguagem, função poética, intertextualidade com a História e a Literatura.
Na 2ª parte – A Produção Cinematográfica –, o foco está nos recursos que suportam a elaboração bem-sucedida de um filme – fotografia, cenografia, figurinos e interpretação –, apontando suas origens e exemplificando sua aplicação por meio de filmes clássicos e da atualidade. Na 3ª parte – Análise de Filmes –, os autores se entregam ao exercício interpretativo de obras relevantes da filmografia da atualidade: a ode ao cinema de Os Sonhadores; as relações intertextuais entre o romance Crime e Castigo e o perturbador Match Point; o universo onírico de Tideland/Contraponto; a riqueza biográfica de Piaf: um Hino ao Amor e as sérias questões éticas de Tropa de Elite. Na 4ª e última parte – Cinema Regional –, os dois ensaios se dedicam a análises de um belo exemplar do cinema nacional, Lavoura Arcaica.
Roland Barthes defendia a importância do “saber com sabor”. Aos amantes do cinema, este livro traz exatamente isso: ensaios que combinam a sensibilidade contida em cada película ao conhecimento técnico e interpretativo, sem perder a clareza e o vigor.